SPFW por Arlindo Grund



Nos últimos 25 anos, o mundo mudou radicalmente. Em meio à complexidade e volatilidade de um mundo acelerado, é preciso mais do que nunca resgatar a emoção e a essência da expressão mais genuína que vem da alma.

Desde o início, o SPFW se firmou como um processo de construção de longo prazo, com um legado de valor e transformação através da criação atemporal, tendo sempre o design e a identidade como foco central.

A edição 45 do São Paulo Fashion Week, que aconteceu na última semana celebrou o poder transformador da energia criativa.

O stylist e apresentador Arlindo Grund comentou os desfiles e pontos relevantes na semana de moda paulistana. Vamos acompanhar?

Água de Coco:

“O desfile da Água de Coco resgatou um pouco da cultura brasileira, né. Houve a desconstrução da bandeira brasileira, a gente viu uma cartela de cores baseada no verde e no amarelo, mas era um verde que virou musgo, um amarelo que virou meio dourado. Tinha também o toque lúdico com a estampa do Zé Carioca nos Arcos da Lapa, e acho que a cima de tudo a gente viu a influência dos anos 80, com os biquínis com cintura mais alta, com cavas mais altas, meio asa delta, e o babado né? O babado acho que foi o mote que costurou toda a coleção da Água de Coco”.

Projeto Ponto Firme:

“O Projeto Ponto Firme foi um desfile muito emocionante pois, além das roupas, tinha uma história por trás. Acho que o que é bacana e vale salientar, são as jaquetas esportivas matelassadas com aplicações de crochê, e as jaquetas com aplicação em 3D, que tinham uma espécie de bichinhos criados em crochê e aplicados nas jaquetas. Adorei a desconstrução de gênero e a desconstrução da silhueta, com casacos mais alongados, com calças mais soltas para os homens e vestidos com bastante franjas para as mulheres”.

João Pimenta:

“O segundo desfile na segunda-feira, começou com o masculino de João Pimenta, que trouxe o surfista para o ambiente urbano, com muitas sobreposições, camisetas de golas altas sobrepostas com coletes, jaquetas e tecidos diferenciados como o matelassê, que possuía peças com shapes de mangas extras longas de viés esportivo. A modelagem era super democrática, ao mesmo tempo que tinha roupas mais slim, próximas ao corpo tinha também, roupas mais soltas com inspiração anos 70. O grande destaque foi a cartela de cores, na qual ele ousou como ninguém, além dos tecidos de seda e cetim”.

PatBO:

“PatBO, com uma apresentação bem autoral, da ideia de uma mulher cigana que roda o mundo e a partir de suas viagens ela coloca a influências e interferências no seu look. A coleção tinha muito xadrez, babados que, aliás, foram o ponto alto desta temporada. Xadrez mesclado com o bordado e tricô, várias estampas de xadrez no mesmo look, apresentando uma coleção criativa, em uma mulher moderna e antenada, mas ao mesmo tempo recatada, que não expõe muito o corpo, expressando apenas sua personalidade por meio da roupa”.

Lily Sarti:

“Lily Sarti fez uma apresentação linda e surpreendente. A começar pela cartela de cores que tinha uma mistura incrível, com toques de latinidade, brasilidade, e mais uma vez, o babado presente. Mas não era um babado exagerado, era delicado, bonito, muitas vezes no linho, mais encorpado, dando um movimento diferenciado para esse detalhe. Eu achei o desfile super feminino, a cara da mulher brasileira, com cinturas mais altas e marcadas, tops que tinham decote de ombro a ombro e sandálias, também lindas, delicadas que tinham um peso na produção. Um desfile fantástico!”.

Veja mais: http://ffw.uol.com.br/spfw/n45/

Leia também: 

Luana Piovani e a moda sustentável

 

 


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *