A surdez, a solidão e a depressão: quando nos sentimos sozinhos mesmo acompanhados


O isolamento nem sempre começa na sociedade. Às vezes, começa dentro da própria família e continua na escola, no trabalho e em outras fases da vida.

As pessoas conversam, riem e compartilham histórias, mas nem sempre conseguimos acompanhar tudo. Estamos presentes, mas podemos nos sentir de fora. Isso pode acontecer até mesmo dentro de casa, perto de pessoas que amamos.

Na escola, pode ser difícil fazer amizades e participar das conversas. No trabalho, podemos enfrentar reuniões sem acessibilidade, perder informações importantes e sentir que não fazemos parte da equipe. E essas dificuldades podem continuar nos encontros com amigos e em outras situações do dia a dia.

Falo disso também pela minha experiência. Mesmo tendo conquistado tantas coisas e construído minha trajetória profissional, há momentos em que também me sinto isolado. Cansa precisar fazer tanto esforço para entender as pessoas e ser compreendido. Cansa ter que pedir acessibilidade e explicar, tantas vezes, que também quero participar.

Com o tempo, essas situações podem afetar nossos sentimentos. Podemos nos sentir sozinhos, tristes e incompreendidos, mesmo quando estamos cercados de pessoas.

A surdez não significa que uma pessoa terá depressão. Mas a falta de comunicação, a exclusão e a solidão podem afetar a saúde emocional. Por isso, precisamos falar mais sobre esse assunto.

Se você passa por isso, saiba que não precisa enfrentar tudo sozinho. Conversar com alguém de confiança e procurar ajuda de um psicólogo ou psiquiatra pode fazer diferença. Pessoas surdas também precisam ter acesso a profissionais que saibam se comunicar de forma acessível, inclusive em Libras, quando necessário.

Pedir ajuda não é sinal de fraqueza. É uma forma de cuidar de si. Se você percebe que a tristeza, o desânimo ou a solidão estão prejudicando sua vida, procure ajuda profissional. Você merece ser acolhido e levado a sério.

Escrevo sobre isso porque sei que não sou o único a sentir essas coisas. Talvez existam outras pessoas surdas que também guardem seus sentimentos, sem saber como falar sobre eles ou com quem conversar.

A inclusão precisa começar dentro de casa e continuar na escola, no trabalho e em todos os lugares. Não basta uma pessoa estar presente. Ela precisa conseguir participar, conversar e sentir que faz parte daquele ambiente.

Estar presente não significa sentir-se incluído. Estar rodeado de pessoas não significa não se sentir sozinho.

E ninguém deveria precisar lutar tanto para pertencer. Todos merecemos respeito, compreensão e apoio, inclusive nos momentos em que não estamos bem.


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