Jean Darrot e os surdos



A inserção no mercado de trabalho é um dos mecanismos de inserir pessoas com deficiência na sociedade e a fábrica da Jean Darrot, no município de Trindade/Goiás, tem dado essa contribuição. A indústria emprega atualmente 15 profissionais com algum tipo de deficiência, sendo 6 (seis) surdos.

A meninas da finalização de peças da Jean Darrot em Trindade/GO. Foto: Thiago Perné Santos

Há cerca de 1 ano na empresa,  a colaboradora da linha de produção Priscila Martins, de 30 anos, é uma das contratadas. Sua colega Wanda, de 41 anos, atua no setor de fiscalização de roupas e chegou a dois anos. Elas dizem que o acolhimento e o respeito por parte do colegas é satisfatório, mas que gostariam que pudessem se comunicar com eles em Libras – Língua Brasileira de Sinais.

Costura dos jeans da moda da Jean Darrot. Foto: Thiago Perné Santos

“Nos sentimos acolhidas e percebemos que a empresa está aberta a inclusão”, destaca Wanda ao acrescentar que o seu trabalho na fábrica é fundamental para que ela consiga dar condições dignas de vida aos seus dois filhos.


Profissionais com deficiência auditiva encontram inclusão e acolhimento em empresas como Jean Darrot, que abrigam, em sua fábrica na Grande Goiânia, seis pessoas com esta condição. No Brasil, segundo o IBGE, quase 10 milhões de pessoas se declaram com algum tipo de surdez.

No trabalho, de acordo com o diretor de recursos humanos da empresa, Antônio Pelágio Ferro, os surdos têm ensinado bastante para toda a equipe. “Não posso afirmar que sou fluente na Libras, mas posso dizer que consigo me comunicar com eles”, relata ao destacar que admira a força de vontade e a energia de superação de todos os profissionais com deficiência que estão no quadro da indústria.

Tudo pronto para ir para as lojas.
Foto: Thiago Perné Santos

“Falamos muito em política de inclusão para beneficiar as minorias, mas é importante falar que cada um dos 560 trabalhadores da fábrica aprendem com a convivência com eles. Somos muito felizes e gratos por tê-los em nossa equipe”, finaliza Pelágio. 

Conquistas

No Dia do Surdo, Wanda e Priscila comemoram a aprovação do Projeto de Lei 2040/11 pela Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, que traz a obrigatoriedade de se ensinar nas escolas a Libras, que desde 2002 foi reconhecida legalmente como a língua de comunicação e expressão da comunidade surda brasileira. Na visão delas, se os interlocutores aprenderem a se comunicar com a comunidade surda, a inclusão se tornará mais efetiva.

Priscila e Wanda, duas das seis surdas que trabalham na Fábrica da Jean Darrot.
Foto: Thiago Perné Santos

De acordo com o IBGE, no Brasil, existem cerca de 9 milhões e 700 mil pessoas com deficiência auditiva, porém, menos de 30% deste montante usa a Libras. Ainda conforme dados do Instituto há uma diferença na educação do grupo com deficiência auditiva e da população em geral. Enquanto 89,5% da população geral, com 5 anos ou mais era alfabetizada, no grupo dos deficientes auditivos, o percentual caiu para 75,5%.

Para mim, foi um prazer ter estado na Jean Darrot, ter conhecido de perto todos os passos para a fabricação de uma peça e ainda ver o comprometimento da marca ao contratar pessoas com deficiência.

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